terça-feira, agosto 29, 2006

A Elegância do Comportamento



Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples “obrigado” diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É a elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas no boca a boca. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível detecta-las em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade.

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

sábado, julho 22, 2006

Só pra constar!!!


Ai galera esse é meu novo Visual e minha mais nova pagina ja tava na hora nera bj a todos

Pra se Pensar...


Descalça e suja uma garotinha passava as tardes em um parque observando as pessoas passarem. Ela nunca procurava falar, não sorria e não dizia uma única palavra.
Dia e noite passavam várias pessoas, mas nenhuma delas lhe lançava um simples olhar, ninguém dava atenção, inclusive eu.
No dia seguinte, eu decidi voltar ao parque, curiosa para ver se a pequena garota ainda estaria lá, e para minha surpresa lá estava ela empoeirada no alto do banco, com um olhar mais triste do mundo, mas desta vez não pude simplesmente passar ao largo, preocupada somente com os meus afazeres. Ao contrário vi-me caminhando ao seu encontro, pelo que todos nós sabemos um parque não é um lugar adequado para crianças brincarem sozinhas.
Quando me aproximei dela, percebi que as costas do seu vestido indicavam uma deformidade, concluí que esta era a razão pela quais as pessoas simplesmente passavam e não faziam esforço algum em importar-se com ela.
Resolvi então me aproximar para tentar conversar. Quando cheguei mais perto, a menina deliberadamente baixou os olhos para evitar meu olhar, pude ver mais claramente o contorno de suas costas, ela era grotescamente corcunda. Sorri para lhe mostrar que tudo estava bem e que eu estava lá para conversar e ajudá-la.
Sentei-me ao seu lado e a cumprimentei. A garota reagiu chocada e balbuciou um “oi” após fixar intensamente meus olhos sobre ela. Sorri novamente e ela timidamente me retribuiu com o mesmo gesto. Conversamos até o anoitecer, o parque já estava vazio, e estávamos a sós, apenas eu e ela. Perguntei a por que estava tão triste, ela me respondeu: “porque sou diferente”, Respondi-lhe sorrindo: “sim você é”. A garotinha ficou ainda mais triste, dizendo: “eu sei”.
“Garotinha” eu disse, “você lembra um anjo doce e inocente”.
Ela olhou para mim e sorriu lentamente, levantou-se animada, dizendo: “de verdade?”, “sim, querida, você é um pequeno anjo da guarda enviado para olhar todas essas pessoas que passam por aqui”.
Ela acenou com a cabeça e disse sorrindo “sim” e com isto, subitamente, abriu suas asas e piscando os olhos falou: “eu sou seu anjo da guarda”. Eu fiquei sem palavras e certa de que estava tendo visões.
Ela finalizou, “quando você deixou de pensar unicamente em você, meu trabalho aqui foi realizado”. Imediatamente, levantei-me surpresa e perguntei: “espere, porque então ninguém mais parou para ajudar um anjo?”. Ela olhou para mim, sorriu e disse: “você foi à única capaz de me ver”, e com isto desapareceu.
Realidade ou um simples conto de fadas? Eu diria que um pouco dos dois, posso ter enfeitado com alguns pormenores, mas tanto a garotinha como a mulher da história existiu. A mulher é minha avó (Maria Amélia de Lira), já falecida no exato momento, a garotinha Maria de Jesus Bezerra Gonçalves, hoje com 54 anos de idade, quatro filhos e acima de tudo muito feliz por ter podido retribuir a ajuda alheia.
Mas porque motivos eu estaria contando isto? Vocês devem estar se perguntando. Bem, porque foi com essa história que aprendi a respeitar as diferenças uns dos outros, ou seja, simplesmente aceitar as pessoas como elas são, e não julgá-las antes de conhecê-las.
Com uma simples história, pensamentos, opiniões, vidas podem ser mudados. Se todos encontrassem seu próprio anjo da guarda, aprenderiam que cada pessoa ou amigo, é um anjo, mas com sua própria maneira de ser. Então quando você pensar que está completamente só, lembre-se de que seu anjo está sempre tomando conta de você, o meu estava.